O Futuro do Varejo – 5 tendências do mundo pós-pandemia


Todos os anos, o NRF Big Show, o maior e mais tradicional evento de varejo do mundo, serve como um excelente parâmetro para entendermos novas tecnologias ou os novos rumos do futuro do varejo. Este ano, o evento aconteceu, pela primeira vez, em formato virtual.


Eduardo Terra, sócio-diretor da BTR Educação e Consultoria e presidente da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), fez para nós da Equilibrium um apanhado geral de todas as tendências apontadas no evento para o mundo pós-pandemia dos próximos anos.


Mais do que nunca, estar por dentro das tendências e tomar conhecimento do que as empresas que conseguiram bons resultados durante a crise fizeram é muito importante para varejistas ao redor do mundo. Apesar de o varejo ter passado por mudanças importantes e desafiadoras durante a pandemia do coronavírus, o setor viu crescer, também, um grande leque de oportunidades de negócio.



Abaixo, listamos algumas tendências que consideramos imprescindíveis para o varejista ter no radar:


1) Aceleração da digitalização do varejo:


Foi observada uma aceleração na digitalização do varejo de muitos anos em poucos meses. Atualmente, estima-se que 5% do varejo brasileiro seja digital. Apesar de ser um número baixo de comparado com com China (45%), Reino Unido (36%) e Coreria do Sul (35%), por exemplo, O Brasil já registra 41 milhões de consumidores digitais.


57% dos brasileiros dizem comprar mais online agora do que antes da pandemia. Além disso, pesquisa realizada pelo banco Goldman Sachs revelou um crescimento de 84% no volume de download de aplicativos de varejo feitos pelos consumidores brasileiros.


Nesse setor, os marketplaces já representam 78% dos e-commerces do Brasil. Exemplo desta tendência é o Pão de Açúcar abrindo loja dentro do Mercado Livre.



2) Mudança na jornada de compra – omnicanalidade:


Por causa das medidas restritivas e de lockdowns ocasianados pela pandemia, as lojas tiveram que adotar novos canais de venda e inovar também nas diferentes formas de vender. Inclusive, através das redes sociais. 48% dos consumidores descobriram novas marcas através delas.


Uma pesquisa realizada pela Accenture em parceria com o Facebook revelou que 83% dos brasileiros utilizam o Whatsapp em alguma parte da jornada de compras de produtos e serviços. E segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box o Whatsapp é o aplicativo no qual o brasileiro passa mais tempo ao longo do dia (29%), seguido pelo Instagram (24%) e Facebook (20%).


Durante a pandemia, popularizou-se o Social Selling. A Casas Bahia adotou esse modelo com maestria: dotou seus vendedores de smartphone e criou a campanha “me chama no Zap”. Além disso, cresceu o Live Streaming, em que marcas e lojas fazem vídeos mostrando produtos, e até mesmo filmam desfiles ao vivo, para que os consumidores possam se entreter e comprar no mesmo canal, diminuindo a distância entre oferta e entretenimento.


Percebeu-se que pessoas estão virando lojas - movimento possibilitado pelas redes sociais - e redes varejistas estão se tornando canais de venda – a exemplo do Magazine Luiza que criou uma plataforma de vendas para pequenos comerciantes.



3) Emprego de novas tecnologias - grandes empresas trabalhando como startups:


85% das empresas de varejo relataram que suas organizações precisam de uma mudança na sua estratégia de cadeia de suprimentos. Percebe-se a necessidade de desenvolvimento de uma nova arquitetura e abordagem no uso de dados de produtos e de clientes – visando a transparência e proteção dos mesmos.


Nesse sentido, a Inteligência Artificial e o Machine Learning estão sendo empregados, inclusive na distribuição e abastecimento logístico, aperfeiçoando o tratamento de dados inclusive fiscais, tributários e de estoque.


A Blockchain também está oportunizando uma nova realidade na rastreabilidade de produtos. No setor alimentício o seu emprego está se popularizando. No Brasil, a Renner também já emprega esta tecnologia. Fala-se também dos caminhos que serão abertos pela computação quântica e a chegada do 5G ao Brasil, que, através da estabilidade e velocidade do sinal, irá possibilitar inclusive a entrega por drones.



4) ESG - responsabilidade social e ambiental:


Estando as marcas cada vez mais preocupadas em atender as demandas e dores dos clientes, e estes cada vez mais conscientes das questões ambientais e humanitárias, evidencia-se o ESG (práticas sociais, ambientais e de governança das empresas).


Empresas que estão se destacando nesse panorama são a H&M, grande varejista do ramo da moda, que divulgou a meta de, até 2030, 100% dos seus produtos serem feitos de materiais reciclados ou orgânicos. A Ikea é outro case de destaque em ESG com a campanha “Better for the People and better for the Planet” (melhor para as pessoas e melhor para o planeta) sobre a renovação dos materiais empregados no mobiliário que produz.



5) Novo papel da loja física - integração com os canais digitais:


Devido ás medidas restritivas e lockdowns, muitas lojas físicas acabaram fecharam durante a pandemia. A estratégia de muitas redes foi tornar as lojas físicas relevantes na jornada de compra dos clientes através da sua integração com os canais digitais. Seu diferencial é oferecer uma experiência diferenciada para que o cliente queira ir até a loja, mesmo que não precise ir.


Outra estratégia é diminuir o atrito no momento da visita à loja, seja eliminando a dificuldade para estacionar ou para pagar, seja através da tecnologia – por exemplo, utilizando QR codes para que o cliente possa acessar a disponibilidade de estoque de determinado produto e visualizar o inventário.


Concluímos que o varejo terá que se reinventar para entregar produtos e serviços que façam sentido num estilo de vida que considera o bem-estar físico e mental das pessoas, colocando o consumidor que o centro de qualquer estratégia.


Para continuar acompanhando a série de conteúdos sobre o Futuro do Varejo, com a participação de Eduardo Terra, siga a Equilibrium no Linkedin e Instagram para receber as notificações dos próximos posts!


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