O futuro do e-commerce e o papel dos marketplaces



Eduardo Terra, sócio-diretor da BTR Educação e Consultoria e presidente da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), apresentou para a Equilibrium as principais tendências apontadas no evento NRF Big Show para os próximos anos: o Futuro do Varejo.


Entre as principais tendências, Terra destacou a penetração do e-commerce em setores tradicionais, como farmácia, mercado e material de construção – movimento ocasionado pela pandemia de Covid-19 -, e o novo papel dos marketplaces no e-commerce como um todo.


A pandemia e a crise econômica mudaram completamente os hábitos dos consumidores. Devido ao isolamento social, as pessoas foram obrigadas a utilizar exclusivamente os canais digitais para realizar as suas compras. Com isso, o comércio eletrônico registrou um crescimento significativo nos últimos meses.


Quem não comprou remédio ou alimento por aplicativos de celular pelo menos uma vez durante a pandemia? O setor farmacêutico possuía uma baixíssima penetração online – menor que 5% - mas a Panvel, por exemplo, já conquistou 18% desse mercado.


De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), entre janeiro e novembro de 2020, as compras realizadas online cresceram 70,3% em comparação com 2019. Já o faturamento atingiu a marca de R$ 115,32 bilhões, 69,6% a mais que no ano anterior.


Com a alta demanda, os empreendedores também tiveram que se adaptar e migrar a sua loja para o e-commerce. O estudo ainda mostra que foram criados 150 mil novos canais de vendas online neste período de pandemia, enquanto a média mensal era de 10 mil. Esses dados indicam que o setor tem passado por uma grande transformação. Mas qual o futuro do varejo pós pandemia?


Terra prevê que será o fortalecimento dos marketplaces, que reúnem de maneira direta e em um só ambiente compradores e vendedores. Ou seja, funcionam como um grande shopping online onde consumidores conseguem comprar de diferentes varejistas em um só lugar e utilizando o mesmo carrinho de compras.


De acordo com pesquisa recente da Ebit | Nielsen, o e-commerce no Brasil é bastante dependente dos marketplaces e os varejistas destas plataformas possuem participação de 78% no faturamento total do mercado. Só para se ter uma ideia, o setor bateu um crescimento de R$ 30 bilhões de faturamento com a pandemia durante os seis primeiros meses de 2020 por lojas que atuam em marketplaces. Um aumento de 56% se comparado ao ano de 2019.


A estratégia de venda em marketplaces no mercado já é consolidada. Não é apenas uma tendência. Por meio das vendas nestas plataformas, as lojas encontraram uma alternativa para superar esse momento desafiador que o varejo e também a economia tem passado. É como se fosse uma alavanca para o crescimento.


Os marketplaces permitiram a digitalização do pequeno e médio varejo que antes não iriam para a internet. Plataformas permitem que o varejo de bairro, aquele que jamais construiria um site, se transforme em um vendedor online, servindo de rampa para varejistas se digitalizarem.


Terra constata três diferentes situações por estágio de digitalização e porte da empresa:


  1. Varejista de grande porte, como o Angeloni: já possui e-commerce próprio, com sua base de clientes e as próprias estratégias digitais. Esse tem a perder ao ir para marketplaces, pois no comparativo de preço, a plataforma pode indicar outro vendedor para o mesmo produto. Apesar disso, o Pão de Açúcar anunciou a abertura de loja no Mercado Livre. É preciso ficar de olho;

  2. Empresas de médio porte: possivelmente já possuem e-commerce, mas seu custo de aquisição de clientes (CAC) é muito alto – é difícil captar clientes através do Google e outras plataformas de pesquisa. Esses varejistas têm muito a ganhar migrando para marketplaces;

  3. Pequenas empresas: essas só tem a ganhar! Inclusive já existem outras empresas, como a Olist, que capta pequenas lojas de bairro, que jamais pensaram em entrar no universo digital, ou possuem nível de integração baixo, e as coloca para vender nos grandes marketplaces, facilitando toda a burocracia. Claro que, para isso, cobram um percentual sobre as vendas. Esse negócio parece ser tão promissor que a Locaweb já adquiriu um concorrente da Olist.


Para marcas a situação difere: para elas é sempre vantajoso estar nos marketplaces, segundo Terra. Isso porque elas já estavam ali, mesmo sem querer (já haviam outras lojas vendendo seus produtos na plataforma). Por causa disso, O Boticário, por exemplo, abriu sua própria loja no Mercado Livre, e a Mr Cat também está entrando na plataforma com loja própria.


Podemos ver que o tamanho dos marketplaces só tende a crescer no Brasil, e sua relevância nos próximos anos tende a ser brutal. Com isso, a logística também se torna uma peça fundamental para entregar ao cliente a experiência completa que ele merece, e com o aumento das vendas online, a demanda por transporte aumentou bastante, assim como a exigência por um serviço melhor. Dessa forma as empresas procuraram se digitalizar e adotar boas práticas de mercado, confira aqui as tendências de logística para os próximos anos.


0 comentário

Posts recentes

Ver tudo